domingo, 6 de janeiro de 2008

CIRANDA

Se minha vida
Se minha vida, minha vida fosse minha
Só minha
Eu a enchia, a enchia de abraços os mais brilhantes
Com minhas lágrimas
Com meu sangue e meus fluidos secreções suores sabores cílios
Para fazer
Para fazer com que todos que nela passassem
Que nela entrassem
Deixassem rastro, rastro visível e perscrutável
Quando fosse, quando fosse
Quando fosse o momento de –
Quando fossem.


Aprendizado dilacerador de órgãos
Esponjosos cartilaginosos musculosos
– ah, porque sempre somos tão sempre musculosos
Para as sentimentalidades todas dessa vida tão provocadora –
Dói imundo porque dói fundo!
Dói por quê?
Par.
Ti, ti, ti, sempre tu, em mim.
Da. Dar. Dor.


Não, não vá.
Não vão.
Suspiro. Em vão.
Sei que vamos todos, também eu.
Queria sempre dizer: bem-vindo.
Mas-estou-sempre-indo.
E nem é da morte que falo! Nem é! Nem é!


Embora meu abraço ainda caiba você e seu mundo e os galhos todos de seu crescimento substantivo e amadurecimento adjetivo e vivências adverbiais e léxico sintático nexo sintético de todas as minhas
Sentimentalidades oceânicas sem porto, sem ilhas, só fluxo.
E-tu-do-pre-ci-sa-fluir-ir-ir-ir-ir.


O que é o amor senão um esponjar-se cartilaginoso nesse lugar o menos musculoso de todos que carregamos aqui dentro e que dói fisicamente embora neguem qualquer origem ou originalidade dessa força toda nele?


Sau. Sal. Oceano, mares – e então a areia disse que era hora de o mar parar de chegar-se assim, como se fosse, porque já era.
Da. Daí a ressaca e aquela onda enorme.
De. De memórias físicas, onda enorme de preenchimentos diversos.
Sinto o seu, os seus, agora, são todos.
Tudo o que é vivo – e mar é vivo, e nuvem é viva, e os barrancos são vivos,
Ressentem esse momento de.
Par. Parar?
Ti. Tirar?
Tu. Ou você.
Ra – raptura, ruptura. Daí todas as fenomenologias ditas atmosféricas ou geológicas, mas são todas humanas, muito humanas.


Re. Os radicais. Os flexíveis. Viva a liberdade. Gramaticalmente significa de novo? Novamente? Nova chance?
Tor. Dor? De novo? Dor.
No. Não? Sim, por favor. Choro porque dá saudade e sou sentimental e é como se fosse ficar sempre sozinha sem ver de novo ou sem sentir de novo. Re-tor. Torto.
Nem!!!


Vem!
Vêm!
Vêem!
Se essa vida, se essa minha vida fosse
Fosse apenas minha
Eu mandava, eu mandava ladrilhar
Ladrilhar os recantos mais aquecidos
Com a intensidade e a voracidade e a plenitude mais doces, de doçuras ternas e tenras e cheias de terra e folhas e mar e barrancos e nuvens e areia
Só para ver, só para sentir, só para você ficar.



>>> Dedicado a J, HH, D, F. Saudade.
Queria poder ter continuação de algum jeito. Mas a vida é dinâmica que só. E o vento que me chama, nos dias radiosos, e os chama também. Chamas tais e quais chamas.

Um comentário:

Ana disse...

Ando uma manteiga derretida.
Ao ler seus textos, desabei.
Adorei ver os textos que antes estavam guardados, aqui expostos.

Ei, ei...Quero mais!!!

obs. tá devendo o texto dos figuras da paulista!