domingo, 20 de abril de 2008

Câmera na mão, idéias na cabeça e tal.

Pois então me deram um olho diferente para olhar, eu que sabia só escrever. Um olho que respondia a comandos outros, que não os meus cerebrais. Que precisava de minhas mãos firmes. Que pedia minha sensibilidade. Minha perspicácia. Que me exigia atenção e presença. Luz, foco, enquadramento. Escolhas. Tripés. Microfones. Áudio e silêncio.

Olhar o mundo com uma câmera nas mãos muda muita coisa. Muda a gente, muda o mundo, materializa invisibilidades que só sua alma capta.

Cenas vieram à mente. Wong Kar-wai, Almodóvar, Sean Penn, Nuri Bilge Ceylan, Gus Van Sant, Beto Brant, Antonioni, Agnes Varda e tantos outros que me emocionam.

Agradeço à Ana, que me fez entrar nesse mundo mágico das imagens que brotam dos meus olhos, das minhas mãos, dos meus passos e do meu novo olho. Por que demorei tanto? Não sei por que contive meus ímpetos de ter esse novo olho, de registrar aquilo que meu coração já sentia de antemão. De imaginar que você e ele e ela e os outros podem partilhar, por breves momentos, do olhar que é só meu.

A câmera entrou na minha vida, largou a porta destrancada. E trouxe junto o ganzá.
Ih, ferrou!!!

2 comentários:

Anônimo disse...

Você (também) me traz alegria de viver. Suas palavras, aquilo que te surpreende...

Débora Poulain disse...

Vem emoção pela frente... mais!